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easyJet ameaça reduzir operação na Madeira


O diretor-geral da easyJet em Portugal, José Lopes, alertou esta segunda-feira no Funchal que a companhia aérea poderá ser forçada a rever em baixa a sua operação na Região Autónoma da Madeira. Em causa está a possível introdução de um novo modelo de subsídio social de mobilidade que elimine o atual teto máximo para o preço das viagens.

O risco da fim do teto tarifário

Durante uma conferência de imprensa conjunta com o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, José Lopes explicou que a retirada do limite máximo de preço poderá "aumentar artificialmente os preços". Este cenário teria um impacto direto e negativo na procura, afetando especialmente os passageiros não-residentes, que representam cerca de 70% do tráfego da companhia entre o continente e a ilha.

"Sem limite superior, os preços tendem a subir e a procura a cair. Se houver menos procura, o mercado terá de se ajustar. Poderá haver uma redução de capacidade", afirmou o responsável, embora tenha sublinhado que a saída total da Madeira não está, para já, nos planos da transportadora.

Investimento recorde em 2026 sob ameaça

O alerta surge num momento em que a easyJet consolida a sua posição como líder de mercado na região. Para o ano de 2026, a companhia tem planeado um reforço histórico:

17 ligações no total (15 rotas internacionais e 2 domésticas);

Capacidade superior a 1,5 milhões de lugares (um crescimento de 5%);

Previsão de 5.400 voos durante o verão de 2026 (mais 8% que no ano anterior).

Críticas ao novoodelo

José Lopes classificou a intenção de acabar com o teto tarifário como uma medida "populista", argumentando que esta não traz benefícios reais aos residentes e introduz volatilidade e ineficiência no sistema de mobilidade aérea. 

Segundo o diretor-geral, o modelo atual, apesar de imperfeito, tem garantido o equilíbrio necessário entre acessibilidade, procura e sustentabilidade das operações aéreas para o arquipélago.

A companhia, que opera na Madeira desde 2007, mantém a região como um mercado prioritário, mas reitera que qualquer alteração estrutural no regime de mobilidade obrigará a uma reavaliação estratégica da capacidade instalada em função da resposta do mercado.

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