Ryanair repete a receita
A Ryanair vai reduzir drasticamente a sua capacidade em Berlim, uma decisão que resultará na retirada de 7 aeronaves e no cancelamento de diversas rotas.
A transportadora justifica a medida com o aumento "insustentável" das taxas aeroportuárias e dos impostos sobre a aviação na Alemanha, que, segundo a empresa, tornam a operação economicamente inviável.
Uma estratégia de pressão recorrente
Este movimento em Berlim não é um caso isolado, mas sim parte de um padrão de atuação da companhia irlandesa, que utiliza o encerramento de bases e a redução de frequências como ferramenta de pressão política e económica.
Na verdade, so longo dos últimos tempos, a Ryanair tem aplicado esta fórmula em vários destinos europeus sempre que não vê as suas exigências de custos reduzidos serem satisfeitas.
Exemplo dos Açores e Madeira
Em Portugal, esta estratégia tem sido sentida de forma acentuada. Recentemente, a Ryanair anunciou o fim das suas operações em Ponta Delgada, nos Açores, justificando a saída com o aumento das taxas impostas pela ANA/Vinci.
O encerramento das ligações ao arquipélago foi visto pelas autoridades locais como uma forma de chantagem para obter subsídios ou isenções tarifárias.
Da mesma forma, a Madeira já tinha sido alvo desta tática. A companhia reduziu a sua frota baseada no Funchal, retirando 1 dos aviões que ali operava e cortando rotas estratégicas, alegando novamente que os custos aeroportuários na Madeira eram proibitivos.
Efeito dominó na Europa
Além do mercado português e agora de Berlim, a Ryanair tem replicado este comportamento noutras cidades europeias:
Espanha: Recentemente, a companhia ameaçou e concretizou cortes em aeroportos regionais e na base de Santiago de Compostela, devido a divergências com a gestora aeroportuária AENA.
França e Budapeste: Em casos anteriores, a transportadora também desativou bases ou reduziu voos em resposta à introdução de "ecotaxas" ou impostos governamentais sobre os passageiros.
Especialistas do setor sublinham que, ao retirar aviões de mercados consolidados, a Ryanair procura enviar um sinal claro a outros governos: a conectividade aérea da região está condicionada à aceitação das condições financeiras impostas pela companhia.
Enquanto as negociações em Berlim parecem ter chegado a um impasse, a transportadora reafirma que irá realocar os aviões para mercados "mais competitivos", como Itália ou Polónia, onde os custos de operação são menores.

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