Sustentabilidade no Turismo: Paulo Brehm defende fim da "sensibilização" e exige ação estruturada
Portugal já não está na fase de "aprender" o que é a sustentabilidade no turismo, mas sim na fase de decidir quem a aplica seriamente e quem apenas a utiliza como acessório de comunicação. Esta é uma das premissas centrais do mais recente artigo de opinião de Paulo Brehm, publicado no portal Turisver, onde o especialista disseca o estado atual do setor.
O autor recorda que o percurso nacional começou de forma consistente na hotelaria, por volta de 2007, e que o sucesso de programas como o HEART (da AHP) se deve à convicção pessoal dos líderes. Brehm é incisivo: a sustentabilidade nas empresas não é uma questão de ativismo operacional, mas sim de decisão estratégica de topo.
O Fim das desculpas para as microempresas
Um dos pontos mais críticos do artigo publicado no Turisver foca-se na resistência de alguns segmentos, como a distribuição e a animação turística, que por vezes reclamam certificações "mais simples" por serem empresas de pequena dimensão.
Brehm contesta esta visão, argumentando que:
- A sustentabilidade é uma "responsabilidade de gestão" e não um custo a ser aliviado.
- Existem exemplos reais de microempresas (com apenas dois funcionários) certificadas com padrões internacionais exigentes.
+ Facilitar excessivamente os processos pode desvalorizar o conceito e levar ao chamado greenwashing.
O diagnóstico do setor
O consultor reconhece avanços importantes na gestão de destinos (através da Green Destinations) e o papel do Turismo de Portugal com o programa Empresas Turismo 360º.
No entanto, deixa um alerta sobre o futuro próximo: a sustentabilidade já não precisa de sensibilização, precisa de "exigência".
Para o consultor, a sobrevivência no mercado ditará a separação entre os que integraram estas práticas no seu ADN e os que apenas "fingem" acompanhar a tendência, ficando irremediavelmente para trás.

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