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Eduardo Jesus reconhece mérito de todos


O secretário regional da Economia, Turismo e Cultura diz em entrevista ao Económico Madeira que “não devemos menosprezar o mérito de todo o setor nesta mudança de paradigma e nos resultados conseguidos”. Eduardo Jesus respondia assim a um questão colocada acerca de quem deveria receber os louros do crescimento constante do turismo no destino Madeira.

Já é lugar-comum referir que 2016 foi um ano de recordes em toda a linha no turismo. De quem são os louros? Os números devem-se à instabilidade de outros destinos de onde os operadores divergem as suas operações ou há que dar todo o mérito à Associação de Promoção da Madeira e igualmente aos hoteleiros e aos agentes de viagens da Região?
Julgo que não devemos menosprezar o mérito de todo o setor nesta mudança de paradigma e nos resultados conseguidos.
A concentração da promoção numa única entidade veio permitir uma outra agilidade nos procedimentos e na própria relação com os parceiros, assim como se traduziu numa dinâmica incomparavelmente maior no que à promoção respeita. Dinâmica que resultou na maior visibilidade e notoriedade do destino e, sobretudo, na sua maior capacidade de atrair e conquistar as atenções de mais turistas, inclusive em mercados que estavam em regressão há dois anos e que hoje, felizmente, crescem a todos os níveis, como é o caso do mercado português.
A toda esta alteração na estratégia promocional do destino, os parceiros privados do setor souberam corresponder da melhor forma. Aliás, hoje acredito que, no desempenho de funções que são distintas mas complementares, temos um destino que congrega opiniões e sinergias, que se afirma pela qualidade como um todo e que, sobretudo, comunga da mesma estratégia e visão para o futuro.
Mais do que partir da instabilidade dos outros destinos para justificar os nossos crescimentos, temos é de saber encarar essa mesma instabilidade como uma oportunidade de afirmação e de fidelização dos nossos clientes, o que, aliás, tem vindo a ser conseguido, graças ao esforço de todos.
É precisamente nestas alturas que devemos reforçar o nosso posicionamento e conquistar o mercado que outros perdem, não de forma temporária mas procurando, acima de tudo, a sustentação dessa mesma procura, ao longo do tempo.

Madeira afirma-se pela diferença
Que fatores distintivos tem a Madeira que pesam na hora da escolha do destino para férias além da segurança, bem receber, natureza e proximidade? A autenticidade será o fiel que faz pender a balança em favor do destino?
A Madeira é um destino que diariamente se afirma pela sua diferença. Pela sua qualidade e capacidade de reinventar-se no mercado. Os aspetos que refere fazem parte do ADN do nosso turismo e são, sem dúvida, aqueles que lhe conferem maior notoriedade.
A nossa oferta é rica e multifacetada, ao longo dos 365 dias do ano. Ao contrário de outros destinos, diria que a Madeira e o Porto Santo conseguem responder, simultaneamente, a vários gostos e preferências, o que naturalmente pesa na escolha. Assim como pesa, também, a cultura turística que nos distingue, a forma como recebemos quem nos visita, algo que efetivamente nos diferencia no mercado, porque conquista e fideliza os clientes.
No fundo, é o somatório de tudo isto. É a riqueza desse somatório e o facto de sermos um território pequeno, que oferece, simultaneamente, experiências para todos os gostos e idades. Experiências que são únicas e impossíveis de encontrar noutros destinos, porque, em todas elas, existe uma identidade que é nossa, inimitável.

Aperfeiçoar a cultura turística

Até que ponto há uma sintonia das diversas entidades, assim como da generalidade da população, para esta questão da defesa do que é autêntico e que perpetue o património histórico do destino Madeira?
Essa sintonia existe. Aliás, é uma marca que tem acompanhado a evolução da atividade turística, nesta Região, ao longo de mais de 200 anos de história.
Existe, todavia, a necessidade de aperfeiçoar essa cultura turística, mantendo-a e reforçando-a para o futuro.
Nesse enquadramento, paralelamente ao plano de requalificação do setor, que também prevê a maior sensibilização e envolvimento da comunidade na preservação deste património, será lançado, no próximo ano letivo, o projeto “Descubra a Madeira – Turismo na Escola”, iniciativa que, destinada às Escolas Básicas da Região e abrangendo um universo aproximado aos 16 mil alunos. Visa, precisamente, educar para o Turismo, através de experiências e conceitos apelativos que, potenciando a criatividade, contribuam para formar, desde cedo, uma consciência turística nas crianças e jovens.
Olhando para os números do ano passado verificamos um crescimento generalizado. Mas há um item que deu um ligeiro passo atrás, ainda que muito tímido. A estada média, que já foi forte na Madeira, superior a 7 noites por hóspede, e apesar de ser a melhor do país, passou de 5,5 noites por hóspede para 5,4 em 2016. Esta componente não preocupa na equação do balanço turístico do destino Madeira?
A estada média é um indicador que apresenta oscilações ao longo do tempo. Identifica, na sua questão, o valor registado em 2015, na ordem das 5,5 noites, mas num passado recente a Madeira já teve valores mais baixos, nomeadamente em 2007 e 2008 (5,3 noites), 2009 (5,2 noites) ou mesmo em 2010 (5,1 noites). Em 2012 atingimos a estada média que alcançamos em 2016, sendo que, no intervalo, ela tem oscilado, precisamente, entre os valores que agora compara.
Ainda que mantendo-se a mais alta do país, é evidente que o nosso objetivo é trabalhar para aumentar a estada média no destino, em consonância com a procura estimada que, segundo a estratégia para o Turismo regional 2017 – 2021, deverá crescer, neste período, entre os 1 e os 1,5%. Objetivo pelo qual estamos empenhados, na medida em que, quanto maior for o tempo da estadia dos turistas entre nós, maior será o impacto económico que resulta para a hotelaria e toda a oferta complementar existente.
Reposicionamento na promoção

Parafraseando um pouco o filme, o destino Madeira já não é para velhos? Hoje a promoção da Madeira sobressai mais para a captação de um segmento mais jovem. Há uma estratégia deliberada para esta mudança das idades?
A estratégia promocional do destino assenta, como sabe, no trinómio Mar/Montanha e Cultura, esta última associada ao lifestyle e, naturalmente, na venda do destino como uma experiência, ao longo de todo o ano.
Nos últimos dois anos, fez-se uma aposta decisiva na afirmação da Madeira como destino de turismo ativo e isso, naturalmente, teve o seu impacto junto de novos públicos, concretamente dos mais jovens. Hoje, temos um produto que cativa e fideliza os turistas que integram os segmentos mais jovens porque houve um reposicionamento daquilo que era a nossa oferta, em função do que era o sentir e a expetativa de quem nos procurava.
Aliás, ganhou-se notoriedade nesse campo. Veja-se, por exemplo, o quanto têm crescido as atividades na natureza e os grandes eventos desportivos internacionais relacionados com este nicho mas, também, com o mar. É nesta lógica que continuaremos a apostar, mantendo o público-alvo que nos é fiel mas, simultaneamente, captando as atenções dos mais novos que, hoje e felizmente, encontram fortes razões para uma visita ao nosso destino.

“Nova” Marca Madeira a caminho

Finalmente e ainda no que respeita à promoção, falou-se, recentemente, que o Governo Regional estaria a preparar a alteração da “Marca Madeira”. No seu entender, que conceito é que deve estar associado à esta Marca? Haverá rutura com o passado ou continuidade?
Sim, é verdade que o Governo Regional está a trabalhar, neste momento, no desenvolvimento da nova Marca Madeira, num processo que se iniciou no passado mês de fevereiro, altura em que o concurso foi lançado.
Conforme já foi tornado público, recebemos 13 propostas, das quais 11 se encontram em análise e a nossa expetativa é que possamos concluir o relatório final até ao fim deste mês, assegurando a adjudicação do trabalho ainda no primeiro semestre deste ano.
Mais do que falar em rutura com o passado ou em continuidade, eu diria que a nova Marca Madeira deverá ser representativa do destino e de todos os madeirenses e porto-santenses. No fundo, terá de ser uma marca com a qual as pessoas que aqui residem se identifiquem e associem, pois é, precisamente, dessa integração que também dependerá o seu sucesso.
Paralelamente aos elementos diferenciadores que nos caracterizam, estamos a falar de um conceito que terá de reunir a história, a alma e a identidade do nosso destino. Será, pois e certamente, um grande desafio.

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