Ausência de teto máximo não pode ser concertação de tarifas
O artigo de opinião Pedro Castro, consultor de aviação, destaca o "dia em que o teto ruiu", referindo-se à liberalização que permite às companhias ajustar preços sem barreiras administrativas.
Se, na teoria económica clássica, a ausência de um teto deveria estimular a competitividade — levando as empresas a baixar preços para conquistar quota de mercado —, a realidade prática parece ditar uma narrativa oposta.
A lógica invertida da competitividade
O argumento central que surge perante esta nova realidade é o da desproporcionalidade. Sem um teto máximo, assiste-se a um disparo vertical dos preços que desafia a lógica da procura e oferta saudável.
Mas não existe uma razão objetiva para este aumento galopante, a menos que estejamos perante um cenário de concertação de preços silenciosa, em detrimento da verdadeira disputa comercial.
Num mercado genuinamente competitivo, a estratégia das transportadoras passaria por apresentar tarifas mais atrativas do que a concorrência para garantir aviões cheios e fidelização.
Transparência sob suspeita
A questão que se coloca agora é: até que ponto o mercado é verdadeiramente livre? Se todas as operadoras optam por inflacionar os custos simultaneamente após a queda das restrições, a ideia de "mercado autorregulado" torna-se uma falácia.
A ausência de um teto máximo não deveria ser um cheque em branco para o lucro desmedido, mas sim uma oportunidade para a inovação tarifária.
Se a competitividade não for restaurada através de preços que reflitam os custos operacionais reais e uma margem justa, o setor poderá enfrentar uma crise de confiança. Onde deveria haver uma corrida para oferecer o melhor preço ao cliente, parece haver uma corrida para testar os limites da carteira do consumidor.

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