Trabalhores do "Madeira Palácio" finalmente indemnizados
O Tribunal do Funchal concedeu hoje a totalidade das indemnizações a 10 antigos colaboradores do hotel "Madeira Palácio", somando aproximadamente 150 mil euros em créditos laborais reconhecidos pelo Juízo de Comércio.
As sentenças foram emitidas entre fevereiro e abril deste ano, concluindo a fase final de liquidação da "Lignum", a empresa dona do hotel que entrou em insolvência em 2015.
O apoio do Sindicato da Hotelaria foi crucial para estes trabalhadores, que recusaram propostas parciais ao contrário de 7 colegas.
Histórico do conflito
Fechado desde 2006 para remodelações que nunca avançaram, o hotel deixou 110 empregados em disputas judiciais de anos. Marco Gonçalves, advogado, e Adolfo Freitas, sindicalista, celebraram o desfecho como prova de que "a justiça, apesar da demora, prevalece".
Herdeiros de um trabalhador falecido já embolsaram o pagamento devido. O episódio sublinha os obstáculos persistentes no setor hoteleiro madeirense e o papel vital dos sindicatos em falências.
O "Madeira Palácio", localizado na Estrada Monumental, no Funchal, foi um dos marcos mais emblemáticos da hotelaria madeirense, com uma trajetória que mistura glamour internacional, arquitetura de prestígio e um longo período de abandono.
Inaugurado em 1971 com o nome original de "Madeira Hilton", foi o primeiro hotel de uma cadeia internacional a fixar-se na ilha.
O projeto foi desenhado pelo conceituado arquiteto português Raul Chorão Ramalho, apresentando uma estética modernista que se integrava de forma única na encosta sobre o mar.
Durante as décadas de 70, 80 e 90, o cinco estrelas foi o centro da vida social e turística do Funchal. Era conhecido pelos seus jardins luxuosos, a icónica piscina e o serviço de excelência, atraindo celebridades e figuras de Estado.
A saída da Hilton
Após deixar de ser gerido pela marca Hilton, o hotel passou a designar-se "Madeira Palácio". Durante anos, manteve o seu estatuto de 5 estrelas. No início dos anos 2000, surgiram planos ambiciosos de expansão que incluíam a construção de apartamentos de luxo ("Madeira Palácio Residences") e a renovação profunda da unidade hoteleira.
O hotel encerrou as portas em 2007 para obras de remodelação. No entanto, devido a uma combinação de crises financeiras, insolvências dos grupos proprietários (como o Grupo ECS e dívidas ao BCP) e processos judiciais, as obras pararam.
O edifício entrou num estado de abandono e degradação que durou mais de uma década. O esqueleto do hotel tornou-se uma visão desoladora numa das zonas mais nobres do Funchal, sendo alvo de vandalismo e alvo de preocupação para os residentes locais.
O renascimento como apartamentos
Após vários anos em leilão e impasses bancários, o imóvel foi finalmente adquirido por investidores.
Adquirodo pelo Hotel Group foi transformado em apartamentos, depois de uma reabilitação total.
O desenho de Chorão Ramalho é ainda hoje recordado e estudado pela sua capacidade de criar espaços amplos e luminosos que privilegiam a vista para o Oceano Atlântico e para o Cabo Girão.
E não passa disso porque a arquitetura de Chorão Ramalho foi completamente destruída com o novo projeto de adaptação.

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