André acusa poder de não corrigir problemas do turismo
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| Foto Funchal Notícias |
O hoteleiro André Barreto escreveu este domingo o seu habitual artigo de opinião no Diário de Notícias. Incisivo e certeiro como sempre, falou de alguns excessos que se verificam em alguns pontos da ilha.
Comeca por recordar o vídeo de uma jornalista da Deutsche Welle — a televisão internacional da Alemanha — que versa sobre aquilo que, para eles, representa o estado atual do turismo na Madeira.
Em jeito de síntese, lembra que a reportagem aborda vários pontos de estrangulamento: o excesso de turistas em determinadas horas e locais, e a sensação sufocante que se vive cada vez que milhares de passageiros desembarcam de navios de cruzeiro na cidade do Funchal.
Barreto aponta que a peça jornalística assume até um caráter didático ao apresentar sugestões para que o visitante consiga escapar ao que parecem ser hordas de turistas que, em barda, assaltam as nossas cidades, serras e mares.
E diz que a jornalista entrevista o Secretário Regional de Turiamo, Ambiente e Cultura, que "surge surpreendido pela abordagem. Ao mesmo tempo que nega o que para a repórter são as evidências descritas, o governante responde com uma série de medidas destinadas a resolver problemas que, até dois segundos antes, ele próprio garantia não existirem. Percebe-se a sua dificuldade em sair airosamente dali, mas o verdadeiro mal ultrapassa aquele breve momento televisivo".
Acerca destas declarações, realça ter ficado com a sensação de estar a assistir a uma criança a roubar pastilhas elásticas num supermercado. Tudo corre bem desde que ninguém a apanhe; se porventura for apanhada, a tática passa por negar até ao fim. Afinal, a criança sabe que pode contar com a credulidade dos pais, que nunca acreditarão que um filho gerado por eles seja capaz de um deslize daquele tamanho.
"Mas a verdade é que as pastilhas elásticas foram efetivamente furtadas...", realça.
Admite compreender a narrativa oficial:
O crescimento económico consecutivo ao longo de 59 meses;
O aumento do investimento privado;
A redução da dívida pública e o saldo positivo das contas regionais;
A subida nos níveis de confiança e do rating, que parece ser o melhor até "para lá da Taprobana".
"O rol de argumentos é extenso e não o quero, de todo, desvalorizar. No entanto, a minha real dificuldade reside nesta negação sistemática das consequências".
Considera que como não houve qualquer alteração de modelo, "a Região continua a assentar nos pilares de sempre: turismo, construção civil (e obras públicas) e o pleno emprego — nem que para isso se tenha de espremer mais um espacinho na função pública, onde parece caber sempre mais alguém".
Face às responsabilidades do cargo, admite compreender que se tente dourar a pílula. Contudo, "gostava de pensar que, ao menos no silêncio dos gabinetes, os decisores já perceberam a real dimensão do problema e que este não se resolve com meros paliativos".
"Uma coisa é certa: não se trata uma perna partida com aspirinas! E a opinião de quem nos visita — os nossos clientes, as pessoas para quem trabalhamos — é a de que a perna está mesmo partida. Urge tratá-la com a devida gravidade e pôr um gesso nisto, mesmo que publicamente se continue a apregoar que uma aspirina resolve...", escreve a rematar o artigo de opinião.

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