Campo de golfe no Faial
O empresário e governante Miguel de Sousa foi a figura central das Jornadas Parlamentares do JPP, realizada este sábado no espaço IDEIA. Sob o tema "Golfe e Sustentabilidade", o debate ficou marcado pela defesa acérrima que o ex-governante fez da construção do campo de golfe no Faial, classificando as críticas como um "alarme social" desajustado.
Miguel de Sousa lamentou que o projeto tenha "encalhado" no debate público, rejeitando a ideia de que a infraestrutura prejudique o bem-estar social da população.
"Não se pode dizer que é uma desgraça, que ninguém vai ter uma casa ou um hospital por causa do campo de golfe do Faial", afirmou, recordando que o Governo Regional já investiu no passado em marinas, portos e estádios sem que tais críticas tivessem o mesmo peso.
O ex-governante sublinhou que a Ribeira do Faial possui condições naturais únicas — clima e água — e que a zona aguarda por este investimento há séculos para gerar dinâmica económica e fixar a população, evitando que Santana seja apenas um local de passagem rápida para turistas.
Sustentou que as críticas ao investimento público são incoerentes face a outros gastos passados em estádios ou marinas.
Enfatizou que o golfe é um "produto turístico" essencial para a fixação de atividade económica em Santana.
Divergências
Embora o painel tenha revelado alguma convergência quanto aos benefícios do desporto, a origem do investimento continua a ser o ponto de discórdia.
João Carlos Abreu, antigo secretário regional do Turismo, defendeu o golfe como um "produto turístico" que atrai famílias e gera retorno através do passa-palavra, reforçando que não se deve confundir a construção de um campo de golfe com a de um bairro social.
Defendeu ainda a necessidade de a Madeira ter mais do que um campo de golfe para se afirmar como destino competitivo, realçando o efeito multiplicador deste desporto.
David Caldeira, João Carlos Abreu defendeu ainda a necessidade de a Madeira ter mais do que um campo de golfe para se afirmar como destino competitivo, realçando o efeito multiplicador deste desporto. do Palheiro Golfe manifestou-se a favor do empreendimento, mas defendeu que este deve ser feito com dinheiro privado. Questionou a responsabilidade direta do Governo e destacou a receita fiscal (IVA) que o golfe gera para a Região.
Por seu turn, João Guilherme Ribeiro, economista, apresentou uma nota mais cética, questionando se o investimento público terá um impacto real na inclusão social e se a receita fiscal gerada será suficiente para compensar o elevado investimento público.
João Ribeiro centrou-se no retorno do investimento de 36 milhões de euros planeado pelo Governo Regional, argumentando que o retorno pode demorar entre 29 e 53 anos e que, num Estado Social, o uso de dinheiros públicos para este fim não promove o bem-estar nem constitui um ativo estratégico. Além disso, alertou para as debilidades das infraestruturas regionais em suportar um turismo de luxo que exige elevada operacionalidade.
Críticas
Num momento de maior tensão oratória, Miguel de Sousa dirigiu duras críticas à esquerda e ao PS, considerando que o modelo de Estado Social em Portugal tem falhado em corresponder às expectativas. Numa nota provocatória dirigida aos anfitriões, chegou a vaticinar que "o PS se calhar também acaba", criticando o que considera ser uma falta de visão estratégica para o desenvolvimento da ilha.
O debate encerrou sem um consenso pleno, mas com a certeza de que o campo de golfe do Faial continua a ser um dos temas mais divisivos na agenda política e económica da Madeira para 2026.

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