Últimas notícias

Insolvências aumentaram 3% na Madeira


A análise anual dos números de processos de falência, insolvência e recuperação de empresas entrados nos tribunais judiciais de 1.ª instância da Comarca da Madeira indica que, em 2025, os entrados (201) e findos (185) evidenciaram evoluções positivas face a 2024, traduzindo variações de +14,9% e de +4,5%, respetivamente. O número de processos findos foi inferior ao número dos processos entrados, o que resultou num aumento de 72,7% nos processos pendentes.



No que respeita aos processos de falência/insolvência decretada, de acordo com a informação fornecida pela Direção Geral de Política de Justiça, verificou-se um aumento entre 2024 e 2025, passando de 162 para 167, o que corresponde a uma subida de 3,1%. Relativamente ao tipo de pessoa envolvida nas falências/insolvências decretadas, em 2025, o peso das pessoas singulares no total dos processos (79,0%) foi superior ao das pessoas coletivas (21,0%).

Quanto ao escalão de valor dos processos com falência/insolvência decretada, verificou-se que o escalão de “Entre 5 000€ e 9 999€” apresentou a maior proporção no total de processos (34,7%), seguido do escalão “Até 4 999€”, com 29,9%. Os outros dois escalões, “Entre 10 000 e 49 999€” e o de “50 000€ ou mais”, foram os menos representativos, equivalendo no conjunto a 35,3% da globalidade dos processos em referência.

Último trimestre do ano

Relativamente ao número de processos de falência, insolvência e recuperação de empresas entrados, no 4.º trimestre de 2025, aumentou em termos trimestrais e homólogos.

O número de processos entrados na Comarca da Madeira relacionados com processos de falência, insolvência e recuperação de empresas aumentou de 44, no 3.º trimestre de 2025, para 57 processos, no 4.º trimestre de 2025 (+29,5%). Comparando com o trimestre homólogo (54 processos), observou-se uma subida de 5,6%.

No referido trimestre, contabilizaram-se 55 processos findos (-8,3% do que no 4.º trimestre de 2024), dos quais 49 (89,1%) terminaram em falência ou insolvência decretada. Este número de falências/insolvências decretadas foi superior ao registado no trimestre anterior (36), mas inferior ao trimestre homólogo (54).

No que se refere ao tipo de pessoa envolvida nas falências/insolvências decretadas, o peso das pessoas singulares no total dos processos foi superior ao das pessoas coletivas, representando 71,4% do valor total. Das 49 falências/insolvências decretadas neste trimestre, 35 foram de pessoas singulares e 14 de pessoas coletivas.

Situação internacional 

Presentemente, o conflito no Médio Oriente tenderá a agravar o clima económico. 

A Allianz Trade prevê que o conflito venha a provocar mais de 15.000 insolvências empresariais a nível mundial entre 2026 e 2027. Portugal inverte tendência de queda.

O número de insolvências empresariais a nível mundial deverá aumentar 6% em 2026. Embora se preveja uma descida moderada em 2027, este número deverá acabar por estabilizar-se em níveis elevados.

Em comparação com as previsões da Allianz Trade anteriores à crise, o impacto direto da situação no Médio Oriente representa mais 7.000 casos para 2026 e mais 7.900 para 2027.

Um conflito prolongado poderá fazer com que as previsões da Allianz Trade subam para +10 % em 2026 e +3 % em 2027.

Em que medida a crise no Médio Oriente aumentará o risco de incumprimento para as empresas? A Allianz Trade publicou o seu mais recente Relatório sobre Insolvências, revelando previsões atualizadas para 2026 e 2027. De acordo com a líder mundial em seguro de crédito, as insolvências empresariais a nível mundial aumentarão 6% em 2026 (+6% em 2025), o que resultaria num quinto ano consecutivo de aumento das insolvências, antes de estabilizar num nível elevado em 2027. No entanto, um conflito prolongado amplificaria os riscos de insolvência.

Cenário português

Em Portugal, a previsão da Allianz Trade é de ligeiro aumento das insolvências empresariais em 2026 (+4%) e 2027 (+5%), após a queda de 4% registada em 2025, num contexto ainda marcado por fortes assimetrias entre setores e tipologias de empresas. 

Enquanto áreas como a construção, o retalho e os têxteis registaram diminuições, os transportes (+46%) e os serviços continuam em crescimento, com as microempresas a representarem cerca de dois terços dos casos e a liderarem a tendência nacional. 

Num enquadramento económico mais exigente, influenciado pelo recente choque energético que condiciona consumo e investimento, as insolvências deverão subir para cerca de 2.350 casos em 2026 e 2.460 em 2027, ainda assim abaixo da média de 2.600 registada entre 2018 e 2020.

Conflito provocará aumentos

A crise no Médio Oriente tem amplificado a volatilidade e a incerteza nos mercados energéticos, nos custos de transporte e nas cadeias de abastecimento globais. Para além das perturbações imediatas, os efeitos em segunda instância apontam para uma aceleração da inflação, condições financeiras mais restritivas e uma deterioração da confiança das empresas.

Esta situação está a fazer subir os custos em todas as cadeias de valor globais, desde o setor agroalimentar até à indústria transformadora, passando pelos cuidados de saúde e pela tecnologia. Além disso, agrava as pressões sobre setores com elevado consumo energético, como os transportes, os produtos químicos e os metais. A combinação de uma procura mais fraca, do aumento dos custos dos fatores de produção e de condições financeiras mais restritivas está a colocar sob pressão as empresas com fraco poder de fixação de preços, margens reduzidas, elevados níveis de endividamento ou necessidades de capital de exploração estruturalmente mais elevadas. Em comparação com a nossa previsão pré-crise, o impacto direto do conflito no Médio Oriente traduzir-se-á em mais 7.000 insolvências de empresas a nível global em 2026 e 7.900 em 2027”, explica Aylin Somersan Coqui, CEO da Allianz Trade.

Efeitos colaterais

Se as perturbações no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz persistirem, os efeitos colaterais poderão agravar-se, com uma perturbação prolongada do abastecimento global de petróleo e gás, bem como com a escassez de outras matérias-primas (fertilizantes, hélio). Esta situação, aliada ao aumento da inflação, à queda da confiança e a um menor crescimento, aumentaria os riscos de insolvência.

Uma escalada sustentada e generalizada levaria a um aumento das insolvências a nível mundial de 10 % em 2026 e de 3 % em 2027. Isto traduzir-se-ia em cerca de 4.100 casos adicionais de insolvência nos EUA e 10.500 na Europa Ocidental durante o período de 2026–2027”, refere Maxime Lemerle, Lead Analyst for insolvency research da Allianz Trade. 

Postos de trabalho em risco

Com um aumento de 6% nas insolvências empresariais a nível mundial em 2026, a Allianz Trade estima que 2,2 milhões de postos de trabalho estariam diretamente em risco. Isto representa um aumento de 94 mil em comparação com 2025.

“A construção, o retalho e os serviços seriam os principais setores em risco. A Europa, com 1,3 milhões de pessoas potencialmente afetadas, lidera o ranking global. A Europa Ocidental (~960 mil) e a América do Norte (~460 mil) registariam ambas um máximo de 12 anos. No geral, os postos de trabalho em risco devido a insolvências empresariais representariam 6% do número total de desempregados nos EUA e na Europa”, acrescenta Maxime Lemerle.

Be green, keep it on the screen!




Sem comentários