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Raimundo corrosivo arrasa Exposição da Flor


A "Madeira, ilha das flores" parece estar a atravessar uma crise de identidade — ou, pior, uma crise de gestão básica. O que deveria ser o expoente máximo da beleza e do cartaz turístico da região transformou-se, no Largo da Restauração, num espetáculo deprimente que motivou uma crítica feroz e necessária do geógrafo e ambientalista Raimundo Quintal.

O cenário descrito é desolador: uma tenda modelo "tipi" que, em vez de celebrar a frescura da flora madeirense, serve de abrigo a um "amontoado de flores, ramos e folhagens em adiantado processo de secagem". É inadmissível que, apenas uma semana após uma inauguração rodeada de pompa e circunstância, o Governo Regional permita que o centro do Funchal exiba o que Quintal classifica como uma "paupérrima exposição".

A indignação que ecoa nas redes sociais e na voz de quem conhece o património natural da ilha não é apenas estética; é ética. Num evento que consome recursos significativos dos contribuintes, ébquestionado:

Onde está a manutenção? Uma exposição de flores exige rega, renovação e cuidado constante. Deixar o material secar ao sol é um insulto aos floricultores e à tradição da ilha.

Quanto custou o desmazelo? A pergunta deixada ao Secretário Regional da Agricultura é a que todos os madeirenses subscrevem: qual foi o custo desta "triste figura"?

A alternativa do óbvio

É irónico que, enquanto o Governo Regional insiste em montar estruturas artificiais de qualidade duvidosa, a verdadeira beleza da Madeira continue a pulsar, por mérito próprio e cuidado de quem sabe, no Jardim Municipal, no Parque de Santa Catarina e nos jardins da Quinta Vigia.

A sugestão de Raimundo Quintal é um murro no estômago da incompetência política: em vez de manter aberta uma tenda que envergonha o destino, por que não promover visitas guiadas aos jardins que realmente dignificam o nome da Madeira?

Manter o Largo da Restauração naquele estado não é apenas um erro de planeamento; é uma falta de respeito por quem nos visita e por quem aqui vive. "Fechem a exposição." Antes que as flores secas se tornem o símbolo de uma governação igualmente murcha.

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