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A fanfarronice do ambiente


A Câmara Municipal do Funchal (CMF) começou ontem, dia 1 de junho, com a "Semana do Ambiente 2026", um evento que se estenderá até ao dia 6. Promete trazer para o espaço público o debate e a ação em torno da sustentabilidade ecológica.
Sob o slogan mobilizador "A Nossa Atitude, O Nosso Futuro", o programa camarário aposta fortemente no envolvimento escolar, na recolha de resíduos e em parcerias com entidades privadas e associativas.
Entre os principais destaques da programação oficial encontram-se ações voluntárias de limpeza de beatas por estudantes logo na segunda-feira, a instalação progressiva de cinzeiros nas paragens de autocarros da Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses e do centro da cidade, e a entrega de prémios escolares como o concurso "Uma Escola, Um Jardim" no Auditório do Jardim Municipal.
O Dia Mundial do Ambiente, a 5 de junho, será assinalado, na Rua dos Ferreiros, com a instalação artística "O Mar Começa Aqui", da autoria de Vera Andrade, fechando o cartaz no sábado, dia 6, com intervenções em sarjetas pelos Escoteiros de Portugal e iniciativas ligadas à causa animal e adoção responsável no Fórum Madeira.

Fanfarronice

Se no papel e nos cartazes promocionais o Funchal se pinta com tons de verde idílico e assume uma postura de vanguarda na preservação do ecossistema, a realidade vivida, em  pelos muitas situações, pelos munícipes nas ruas e jardins da cidade esbarra com a narrativa oficial.
Utilizadores do espaço urbano apontam atitudes do município que não se coadunam com as propaladas palavras em defesa de políticas ambientais. O que, até certo ponto, dão que pensar quando surgem  campanhas temporárias, que poderão vir a ser interpretadas com alguma fanfarronice institucional.
E referimo-nos a quê? Aos procedimentos rotineiros dos serviços de limpeza e manutenção de jardins da própria autarquia, assim como das ruas da cidade, que se quer amiga do ambiente.

O exemplo mais flagrante e criticado reside no uso abusivo de maquinaria poluente a nível sono, com especial destaque para os aparadores de relva e os omnipresentes sopradores de folhas. 
Na verdade, para quem procura um espaço ajardinado, para relaxar e sossegar naquele oásis, tem de ter uma grande dose de paciência para não ir embora. Ou, então, tapar os ouvidos, tal o barulho ensurdecedor que até ressuscita um morto.
Estes equipamentos — frequentemente dotados de motores a combustão — e mesmo outros elétricos, transformaram a cidade num inferno sonoro, gerando níveis de poluição acústica incompatíveis com o bem-estar e o descanso dos residentes. Pois, algumas vezes, ainda nem o galo cantou e já está o soprador despertador a querer substituir os dotes do galináceo.

Mais caricato ainda, do ponto de vista ambiental, é o facto de os sopradores servirem muitas vezes apenas para empurrar poeiras, lixo e folhas dos passeios, ou, no caso dos jardins, não mandam para a estrada, mas para os canteiros. Não é bem para debaixo do tapete, mas o princípio é o mesmo.
E, em qualquer destas situações, levantam partículas nocivas para o ar que os peões respiram.

Para muitos, a verdadeira atitude em prol do futuro não se demonstra em passadeiras vermelhas de entregas de prémios, em exposições temporárias ou nos sorrisos Colgate para os jornais. Demonstrar-se-ia, sim, na modernização dos procedimentos dos municípios e mesmo de serviços particulares, através da transição para ferramentas elétricas silenciosas e na adoção de métodos de limpeza urbana que respeitem, de facto, a qualidade de vida, o silêncio e o ambiente de quem habita e trabalha na capital madeirense.
Enquanto a prática municipal não se coadunar com o discurso do cartaz, a Semana do Ambiente é apenas como mais um exercício de cosmética política.

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