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Decisão da Europa no querosene dos EUA positivo para a Madeira



A Europa decidiu permitir o uso de querosene de aviação proveniente dos Estados Unidos da América (especificação Jet A, regida pela norma ASTM D1655) marca uma mudança significativa na logística energética do setor aéreo europeu. Até agora, a Europa utilizava quase exclusivamente o Jet A-1, que possui um ponto de congelação ligeiramente inferior, mas exigências de rastreabilidade e certificação muito distintas das norte-americanas.

Esta harmonização de normas, que aproxima os padrões da EASA (Agência Europeia para a Segurança Aérea) aos da FAA (Federal Aviation Administration), tem como objetivo aumentar a resiliência do mercado e reduzir a dependência de fontes tradicionais.

Procura exige soluções 

Na realidade, a Comissão Europeia e as autoridades aeronáuticas finalizaram o processo de aceitação do combustível de aviação padrão dos EUA (Jet A) para utilização em aeroportos europeus. Esta medida visa flexibilizar o abastecimento e permitir que excedentes de refinarias norte-americanas possam ser integrados na rede europeia sem necessidade de re-processamento complexo.

A decisão surge num contexto de necessidade de diversificação de fornecedores, procurando evitar que o mercado europeu fique refém das flutuações de preço e de abastecimento provenientes do Golfo Pérsico e de outras regiões com instabilidade geopolítica. Com esta abertura, os EUA tornam-se um "fornecedor de reserva" estratégico para a Europa, garantindo que o fluxo de combustível seja mais constante e competitivo.

Impacto para a Madeira

Para a Madeira, esta mudança é particularmente relevante devido à sua posição geográfica e às ligações diretas com a América do Norte.

Atualmente, a ilha conta com ligações diretas de relevo, como as operações da United Airlines (Nova Iorque/Newark), entre 16 de maio e 25 de setembro.

Com a compatibilidade de combustíveis, as aeronaves que realizam estas rotas transatlânticas podem operar com maior flexibilidade. Se antes existiam barreiras técnicas ou administrativas na mistura de remanescentes de combustível americano com o europeu em solo regional, essa barreira desaparece.

Abertura facilita

Em caso de rutura ou escassez de stock nas refinarias europeias, a Madeira pode agora beneficiar diretamente de carregamentos vindos da costa leste dos EUA, que é a origem natural das suas rotas diretas, garantindo que a operação turística não seja afetada por crises energéticas continentais.

Tradicionalmente, os preços e a disponibilidade de combustível em Portugal (e na Madeira) estão fortemente ligados ao mercado do Mediterrâneo e às importações do Golfo.

Ao permitir o querosene dos EUA, cria-se um novo corredor de importação. Se o preço do barril no Golfo disparar devido a tensões no Médio Oriente, a Europa (e os distribuidores que abastecem o Aeroporto Internacional da Madeira) podem recorrer ao mercado americano, onde a produção de xisto (shale oil) muitas vezes mantém os preços mais estáveis.

Sendo uma ilha, a Madeira depende totalmente da importação de combustível por via marítima. Ter uma especificação técnica que é comum aos dois lados do Atlântico facilita a contratação de navios-tanque que já operam nas rotas da costa leste dos EUA, diminuindo a pegada logística e os custos de transporte.

Combustíveis sustentáveis 

A nova normativa europeia também facilita a integração de Sustainable Aviation Fuels (SAF) produzidos nos EUA, que seguem as normas ASTM. Isto é crucial para que a Madeira cumpra as metas ambientais da União Europeia (ReFuelEU Aviation) sem que isso implique um aumento incomportável nos custos das passagens aéreas para os residentes e turistas.

Em resumo, esta medida atua como um "seguro de vida" logístico para a conectividade aérea da Madeira, garantindo que o arquipélago deixe de olhar apenas para Leste em busca de energia, aproveitando a sua vocação atlântica para se abastecer de forma mais diversificada e económica.

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