Últimas notícias

Milhões adiam reforma de Michael O'Leary


O controverso diretor executivo (CEO) da Ryanair, Michael O'Leary, poderá vir a encaixar um bónus recorde no valor de 100 milhões de euros. A atribuição deste prémio milionário surge na sequência da decisão do gestor de adiar a sua reforma e prolongar o seu contrato com a companhia aérea de baixo custo até 2028.

Para que este bónus substancial seja efetivamente pago, a Ryanair terá de cumprir metas financeiras e operacionais bastante ambiciosas estabelecidas pelo conselho de administração. Entre os objetivos estipulados figuram a duplicação dos lucros da empresa para cerca de 2 mil milhões de euros anuais e/ou a fasquia de ver as ações da companhia atingirem os 21 euros por um período continuado.

Se estes resultados forem alcançados sob a sua liderança prolongada, O'Leary terá direito a exercer opções de compra de ações que resultam na histórica compensação de 100 milhões de euros, consolidando o seu estatuto como um dos executivos mais bem pagos do setor da aviação mundial.

A Ryanair e a Madeira

A chegada e o percurso da Ryanair na Madeira representam um dos marcos mais importantes e debatidos na história recente do turismo e das acessibilidades do arquipélago.

Durante mais de uma década, a entrada da Ryanair no Aeroporto Internacional da Madeira (FNC) foi o "santo graal" do turismo regional, mas também um tema complexo. Os principais entraves eram:

As elevadas taxas aeroportuárias cobradas pela ANA - Aeroportos de Portugal;

As particularidades técnicas da pista do Funchal, que exigiam treinos e certificações especiais para os pilotos.

A companhia aérea irlandesa chegou a ameaçar ou adiar os planos várias vezes, exigindo incentivos e reduções de taxas para viabilizar os seus voos.

O impasse quebrou-se no final de 2021. Graças a um esforço conjunto entre o Governo Regional da Madeira, a ANA e a Associação de Promoção da Madeira (APM), foi finalmente fechado um acordo de promoção turística.

Novembro de 2021: Michael O'Leary viaja até à Madeira para anunciar formalmente a abertura de uma nova base operacional na ilha.

14 de abril de 2022: A Ryanair inicia oficialmente as operações na Madeira. O investimento inicial foi de 200 milhões de dólares, com o posicionamento fixo de 2 aeronaves na base do Funchal, gerando cerca de 60 postos de trabalho diretos e uma programação inicial de 10 rotas (incluindo ligações domésticas cruciais para Lisboa e Porto, além de destinos internacionais como Londres, Dublin, Marselha e Milão).

A entrada da operadora quebrou o duopólio virtual que existia nas ligações com o continente (TAP e easyJet). 

A concorrência agressiva da Ryanair resultou numa descida imediata e significativa nos preços das passagens aéreas, permitindo aos residentes madeirenses e aos turistas viajar por frações dos valores praticados anteriormente.

Como é habitual no modelo de negócio da companhia irlandesa, o histórico na Madeira também tem sido pautado por alguma instabilidade e pressão política:

Braço de ferro pelas taxas: Periodicamente, a liderança da Ryanair ameaça reduzir aeronaves ou cancelar rotas na Madeira sempre que a ANA propõe o aumento das taxas aeroportuárias em Portugal. Num dos invernos, a companhia chegou a reduzir temporariamente a capacidade de um dos aviões baseados como forma de protesto.

Expansão Contínua: Apesar dos atritos com a gestora dos aeroportos, a operação provou ser um sucesso comercial estrondoso. A companhia continuou a ajustar a sua rede e a introduzir novas rotas internacionais estratégicas ao longo dos anos — como as ligações a Shannon (Irlanda) e Malpensa (Milão) que reforçaram a conectividade da ilha.

Hoje, a Ryanair consolida-se como um dos pilares fundamentais da conectividade da Madeira, transformando a dinâmica de viagens de e para o arquipélago.

Atualmente, a rede de destinos diretos da Ryanair a partir da Madeira estabilizou numa oferta de 10 rotas diretas, divididas entre o mercado doméstico e vários pontos estratégicos da Europa.

Ligações regulares da Madeira

Portugal (Rotas domésticas):

 Lisboa (com várias frequências diárias)

 Porto  (também com voos diários e reforços sazonais)

Reino Unido:

 Londres (Stansted)

 Manchester

 Edimburgo (uma das adições que reforçou o mercado escocês)

Irlanda:

Dublin

Shannon (uma das rotas internacionais introduzidas para captar o turismo do oeste irlandês)

França: Paris (Beauvais)

Bélgica: Bruxelas (Charleroi)

Itália: Milão (Malpensa)

De salientar que a rede de rotas da Ryanair na Madeira é bastante dinâmica e sofre ajustes frequentes conforme as épocas e as negociações de taxas aeroportuárias. Algumas rotas inicialmente planeadas ou operadas no arranque (como Nuremberga ou Marselha) acabaram por ser descontinuadas ou substituídas por estes destinos atuais para otimizar a rentabilidade das aeronaves baseadas na ilha.


Sem comentários