Roberto Loja aponta caminhos nas viagens aéreas
Roberto Loja voltou a escrever acerca do turismo em mais um artigo de opinião publicado no Diário de Notícias.
Refere que o segredo de um bom governo assenta na simplicidade: identificar problemas complexos e dividi-los em partes geríveis. No que toca às ligações aéreas entre a Madeira e as cidades de Lisboa e do Porto, a solução para os residentes deveria seguir esta mesma premissa, distanciando-se de visões fundamentalistas de mercado.
A solução ideal passaria por contratualizar diretamente o preço das viagens para os residentes da Região Autónoma. O funcionamento seria direto e transparente:
Divisão de Custos: O residente pagaria um valor fixo x à transportadora aérea, enquanto o Estado assumiria o pagamento de um valor fixo y. Este custo manter-se-ia inalterado.
Reserva de Lugares: Em contrapartida, as companhias aéreas seriam obrigadas a disponibilizar uma percentagem de lugares em cada voo exclusivamente para residentes.
Flexibilidade Operacional: Esta quota de lugares para residentes não teria de ser rígida, podendo flutuar consoante a hora do dia ou a época do ano. Os restantes lugares do avião ficariam totalmente à disposição da transportadora, que os poderia comercializar ao preço e ao público que entendesse (clientes finais ou operadores turísticos).
Aponta que, se definirmos, por exemplo, que tanto x como y correspondem a 50€, o modelo revela-se vantajoso para todas as partes envolvidas:
Salienta que, para as companhias aéreas, garantem uma receita estável e, frequentemente, superior ao preço corrente de mercado para aqueles lugares específicos.
Para o Estado, consegue prever e reduzir os encargos financeiros quando comparado com o modelo de subsídio atual.
Para o residente, ganha estabilidade e previsibilidade, sabendo exatamente com o que contar financeiramente em qualquer altura do ano.
Adianta que este modelo de obrigações de serviço público seria aplicado a todas as companhias que demonstrassem interesse em operar as rotas da Madeira. Embora companhias de baixo custo como a EasyJet ou a Ryanair pudessem não manifestar interesse neste formato regulado, a adesão não seria obrigatória — voaria para a Madeira apenas quem aceitasse as condições do caderno de encargos.
Uma componente secundária, mas vital, desta proposta seria a obrigatoriedade de realizar parte dos voos diários com aviões de fuselagem larga (wide-bodies).
A utilização deste tipo de aeronaves de maior porte garante uma capacidade adicional e frequente de porão. Em vez de depender de um voo cargueiro semanal, a Madeira passaria a dispor de capacidade para escoar vários contentores aéreos duas a três vezes por dia. Este espaço abundante seria o incentivo perfeito para alavancar os setores de exportação regionais.
Os bilhetes que excedessem a quota de residentes seriam geridos livremente pelas transportadoras. Caso a dinâmica de mercado continuasse a gerar tarifas gerais muito acessíveis, os residentes manteriam sempre a liberdade de adquirir os seus bilhetes no mercado aberto.
Trata-se, em suma, de defender um modelo justo, aberto e transparente para todos os operadores que queiram servir a linha da Madeira, focado nas reais necessidades de mobilidade e de economia da Região.

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